Nesta lua nova, renovada esperança pela paz cresce dentro de todos nós. Sônia Lima espera que vamos chegar a abençoar o dia 11 de setembro como aquele em que a humanidade deu um salto quântico de consciência. Deus a escute ! Estive com uma ancestral indígena, na Casa das Primeiras Nações. Não é um nome lindo para os primeiros habitantes dessa terra? Ela me recebeu com gentil acolhimento e escutou-me. Disse que há muitos ensinamentos, e cada pessoa revela o seu espírito ao interpretar os símbolos. Mostrou-me um quadro.
- Veja aquela criança, o que ela significa para vc?
Respondi que me parecia que a criança indígena olhava algo que tinha no regaço, e uma luz vinha dele para o seu rosto, iluminando-o. Talvez ela contemplasse um sonho, porque havia muitas flores ao redor de seu corpo, em tons vivos mas embalhados como num sonho.
Lyllian Mac Gregor - este é o seu nome" em inglês" - sorriu com os olhos.
- Para mim, disse, ela é uma menina cega que pede " vejam por mim!". Há tantos ensinamentos ! Olhem e vejam por mim porque os meus olhos estão fechados.
Percebi ( mas não falei ) que ela revelava sua tristeza pela alma indígena cega para os próprios valores, sem enxergar a luz dos próprios ensinamentos ancestrais. Os alunos indígenas que são novos na Universidade de Toronto aparecem para conversar com ela. São jovens assustados, geralmente deprimidos, à beira de uma crise nervosa. Ela os aconselha a voltarem no final de semana para as suas reservas e visitarem o seu grandepai e a sua grandemãe.
As comunidades indígenas canadenses têm sempre um idoso e uma idosa como referência de paz e de sabedoria. São chamados, carinhosamente, de grandepai e grandemãe. São como avô e a avó da tradição indígena brasileira.
Lyllian ocupa a função de grandemãe na comunidade indígena de toda a Universidade de Toronto e fica á disposição dos seus filhos, para acolher e aconselhar. Ela tem 68 anos, já viajou muito com delegações da própria universidade, sendo conhecida por sua eloqüência.
Mas como fazem os rapazes e moças nativos que estranham a aridez da vida intelectual?
Lyllian diz-lhes para andar descalços, refrescar os pés nas águas geladas dos lagos canadenses por onde passaram os antepassados e, depois, assim revigorados, regressarem ao campus da cidade para estudar.
Lições simples de quem não se esqueceu do amor vitalizante da natureza. Ela própria volta, de quando em vez, para a beira do lago onde nasceu, renascendo em vigor para a luta por melhor qualidade de vida das nações indígenas, ou Primeiras Nações.
Na hora do almoço, serviram um incrível milho doce. Eu pensei que tinham adicionado açúcar, mas não! É uma qualidade canadense, adorada pelos indígenas - e por mim, a partir daquele dia.
Uma cerimônia simples completou a experiência do primeiro encontro com a grandemãe. Reuniram-se vários jovens de diferentes nações, recém chegados na comunidade universitária. Lyllian recitou uma prece de boas vindas, primeiro em inglês, depois em sua própria língua nativa, pedindo a todos que entoassem as palavras em sua língua natal. Eu falei em português e senti a vibração dos nossos espíritos unidos pela paz nas tarefas a realizar, com honestidade e coragem.
Para mim, assim como para Ed que me acompanhou na cerimônia, foi um ritual de boas-vindas precioso, que não esqueceremos.
Lyllian acendeu um pequeno incensador feito de uma concha natural, onde queimou tabaco, cedro e erva-doce. Ela se purificou com a fumaça, passando-a sobre a cabeça, o rosto e os braços. Depois, sua auxiliar, usando a pena sagrada, passou a fumaça pelas costas da grandemãe.
Em seguida, todos nós repetimos os gestos de Lylian e fomos, também, purificados no corpo todo e nas costas, com a ajuda da pena sagrada.
Essa pena é belíssima. A que foi usada era de gavião, tendo no cabo as cores das quatro direções cardeais e dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo, simbolizados pelo preto, branco, vermelho e amarelo. Várias tiras de couro trançado adornam o cabo da pena, simbolizando os animais que convivem com a humanidade.
Lyllian sorriu quando lhe dei a tradução do meu sobrenome...
Assim, vivo um tempo de trocas, novos contatos e aprendizagens. Quando tiverem vontade, escrevam dizendo como sentiram o que leram.
Meu e-mail em Toronto é = lpenna@oise.utoronto.ca
Pela paz, pela vida e amorosidade entre todas as nações da Terra!
Lucy |